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Domingo, 22 de novembro de 2009
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As propostas do Núcleo da Juventude do PPS
A idéia que leva à formação do Núcleo da Juventude do PPS de São Paulo, à revitalização da nossa militância e à reformulação da JPS não pode se limitar à simples criação de mais um entre tantos grupos internos, nem única e exclusivamente à troca de nomes de seus mebros, mas deve representar uma profunda transformação política, ideológica, conceitual e administrativa que rompa com os modelos tradicionais e ultrapassados das juventudes partidárias.
Já não basta ser crítico e oposicionista no discurso; é preciso agir de modo construtivo, dialogar com os demais setores da sociedade e acompanhar as novas formas de participação e organização popular, das quais precisamos ser contemporâneos.
Já não basta resumir a ação de uma juventude à política estudantil. Precisamos estar integrados, sim, ao movimento dos estudantes, mas também aos demais movimentos sociais, religiosos, culturais, sindicais, ambientais, às organizações não-governamentais e à própria política partidária direcionada ao candidato jovem.
Hoje em dia, jovens e velhos, homens e mulheres das mais variadas classes sociais, culturas e raízes fazem política sem se prender diretamente a nenhum tipo de organismo partidário, dando preferência à atuação em ONGs ou nos conselhos de segurança, de saúde, da criança e do adolescente ou em defesa da mulher. A hegemonia dos partidos diminui na mesma medida em que os problemas sociais aumentam.
É certo que atualmente a sociedade vive muito menos a rotina político-partidária, assim como a pura e simples polarização entre direita e esquerda está cada vez mais antiquada, principalmente quando nós mesmos pregamos o "diálogo" com todos os setores democráticos para atingirmos objetivos comuns.
Mas, por outro lado, passamos a viver uma pluralidade de lutas que se travam fora do estreito mundo partidário e exigem uma multiplicidade de organizações. Portanto, temos que abandonar definitivamente a idéia de que os partidos exercem o monopólio da representação política e, consequentemente, a juventude do PPS não pode se contentar em ser apenas um partido de calças-curtas, reprodutor das decisões impostas pela cúpula dirigente à sua militância passiva.
É hora, então, de desenvolvermos esse novo tipo de debate. É o momento de construirmos dentro do PPS mecanismos de compreensão e formulação dessa modalidade renovada de política para a nossa atuação no campo juvenil, promovendo assim mudanças que satisfaçam as particularidades das novas gerações e determinem essa nossa identidade junto à sociedade, concretizando na prática a evolução pretendida pelo PPS desde a sua origem.
O Núcleo da Juventude do PPS deve funcionar como articulador de diferentes interesses dos jovens brasileiros e paulistanos. Ao debate meramente político-partidário e à participação no movimento estudantil, devemos somar idéias e ações concretas nas áreas de ecologia, cultura, esportes e lazer, música, turismo, direitos humanos, ética, cidadania, políticas públicas, trabalho e desenvolvimento econômico, ciência e tecnologia etc.
Sem perder o lastro de 78 anos de uma história impecável e coerente de lutas democráticas desde a fundação do PCB, respeitando suas origens e honrando suas tradições, não podemos nos esquecer também que somos todos jovens nos oito anos de existência do PPS.
Não vamos ter medo de resgatar os pontos positivos do passado enquanto projetamos o nosso futuro, porém sem dogmas ou tabus, desenvolvendo um profundo debate nacional que esclareça e aperfeiçoe o nosso projeto de construirmos um partido que realmente faça diferença no cenário político brasileiro e na sociedade como um todo.
Assim, não podemos desperdiçar esse importante instrumento partidário e consequentemente a nossa possibilidade de inserção na vida cotidiana dos jovens brasileiros e paulistanos, seja por meio do Núcleo da Juventude do PPS ou de seu braço socialmente mais visível, a JPS.
Apesar de em tese ser um instrumento amplo, interessante e transformador, a JPS até agora tem se limitado a reproduzir e amplificar os problemas do PPS, às vezes reforçando embates internos e vícios da política, outras horas servindo de palco para guerras de vaidade e demonstrações das formas mais baratas de politicagem, fisiologismo e demagogia.
Isso não só tem gerado a insuficiência na formação de novos quadros identificados com a história, com o programa e com as propostas do PPS, mas também a incapacidade de pautar e responder a demandas puramente juvenis, reduzindo seu papel a simplesmente adaptar as decisões do partido a uma linguagem "jovem", quando isso é feito.
Por isso, o Núcleo da Juventude do PPS surge para ocupar esse espaço com ética, coerência, unidade e bom senso, e para quebrar essa tradição fisiológica de sermos uma força organizada apenas às vésperas dos processos eleitorais.
Não estão errados os que apontam a falta de estrutura como um dos problemas que agravam a fragilidade da nossa juventude partidária, uma vez que não é possível construir algo, por menor que seja, sem investimentos materiais. Por outro lado, também é possível concluir que não temos nenhuma estrutura porque não conseguimos manter uma organicidade mínima que permita ou gere estrutura.
O Núcleo da Juventude do PPS chega para reaproximar o partido do "mundo real" dos jovens, muito mais individualista e competitivo do que supunha nossa cartilha saudosista e utópica.
Se antes a preocupação com o jovem se resumia à política estudantil ou às formas de atração para a militância partidária, hoje temos que atender a uma série de novas necessidades e expectativas, tanto dos jovens carentes quanto daqueles que têm uma melhor condição de vida, mas que enfrentam problemas idênticos no seu cotidiano e dividem a mesma ansiedade diante de um futuro incerto, marcado pela violência, pela frieza das relações humanas o pela ausência de coesão social.
Está nas mãos do Núcleo da Juventude do PPS e da JPS gerar essa esperança e criar os elos da cidadania juvenil com o futuro, sem perder de vista as mudanças radicais do cenário e das referências da juventude brasileira nos últimos anos.
O PPS saiu na frente na tentativa de renovar com profundidade sua forma de organização para atender a dinâmica das mudanças que estamos vivenciando, e isso deve se repetir na organização do nosso Núcleo da Juventude. Temos que criar uma estrutura ágil, que garanta o pleno exercício da opinião de todos, independente do rótulo de socialista ou social-democrata, esquerda, centro-esquerda ou qualquer outra definição que se queira dar.
O segredo é transformar os fóruns de nossa entidade em centros de formação e de irradiação de políticas para a sociedade. Devemos amadurecer essa discussão dentro e fora do partido, envolvendo as pessoas nesse processo de revitalização de idéias e ações para construirmos um movimento democrático e plural, que seja o embrião de uma nova organização de juventude, inserida na sociedade e que trabalhe politicamente no espaço da centro-esquerda.
O Núcleo da Juventude e a JPS são os instrumentos que hoje o partido dispõe para acompanhar as mudanças e responder a esses desafios. Devemos nos valer desta experiência à luz da nova conjuntura, estabelecendo uma ponte entre as grandes discussões do país e os temas pertinentes aos jovens.
É neste cenário e com esta lógica que devemos desenvolver nosso trabalho. Encontrar o mínimo denominador comum dentro da diversidade, conquistar corações e mentes para a política e inventar uma nova utopia possível, tendo como princípios a radicalidade democrática, o diálogo nacional, a ética, a solidariedade e a justiça social.
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